Bertioga ganha destaque em turismo inclusivo e amplia opções de acessibilidade para moradores e visitantes

Bertioga ganha destaque em turismo inclusivo e amplia opções de acessibilidade para moradores e visitantes
Lea Delvern
10 Min de leitura

Cidade conquistou três dos 15 reconhecimentos estaduais por iniciativas que aproximam praias, natureza e lazer de pessoas com deficiência.

Bertioga entrou em evidência no turismo paulista por um motivo que vai além das praias e da natureza: a cidade conquistou três dos 15 reconhecimentos do Prêmio Boas Práticas de Turismo Inclusivo 2026, iniciativa promovida pelo Governo de São Paulo em parceria com a EACH-USP. O resultado foi anunciado em 14 de setembro e ganhou repercussão local nos últimos dias. A pesquisa que deu origem à premiação mapeou 308 iniciativas de turismo inclusivo no Estado, das quais 70 passaram por uma avaliação técnica e 15 foram reconhecidas. (Prefeitura de Bertioga)

Para quem mora em Bertioga ou pretende visitar a cidade, a notícia levanta uma questão prática: o que já existe de acessibilidade no destino e como essas iniciativas podem mudar a experiência de quem tem deficiência ou mobilidade reduzida? O reconhecimento envolve principalmente ações relacionadas à praia, ao ecoturismo e à oferta de experiências acessíveis, mostrando uma tendência importante para o litoral paulista: transformar acessibilidade em parte do planejamento turístico, e não apenas em uma adaptação pontual.

Por que Bertioga recebeu três reconhecimentos no turismo inclusivo

Entre as iniciativas reconhecidas estão duas ligadas ao Sesc Bertioga: os recursos de acessibilidade utilizados na Reserva Natural e o projeto Mar de Acessos, voltado à inclusão de pessoas com deficiência nas atividades de praia. O terceiro reconhecimento está relacionado a uma iniciativa esportiva adaptada desenvolvida no município. Segundo a Prefeitura, Bertioga ficou com 20% dos 15 reconhecimentos concedidos em todo o Estado, depois de uma seleção que analisou inovação, abrangência, protagonismo do público-alvo e possibilidade de reprodução das soluções em outros locais. (Prefeitura de Bertioga)

O resultado também coloca Bertioga dentro de uma discussão mais ampla sobre o futuro do turismo no litoral. A EACH-USP informou que o levantamento foi realizado para identificar e divulgar práticas que possam ampliar a participação de pessoas com deficiência e de outros públicos com necessidades específicas. O Governo de São Paulo destacou que as iniciativas selecionadas devem servir como referência para destinos turísticos que buscam combinar acessibilidade, inovação e competitividade. (Cada Um é Um)

Na prática, isso significa olhar para a experiência completa do visitante. Não basta existir uma rampa em determinado ponto ou uma estrutura adaptada isoladamente se o restante do passeio continua inacessível. O turismo inclusivo envolve infraestrutura, equipamentos, comunicação, atendimento e condições para que a pessoa possa efetivamente aproveitar uma praia, uma trilha, uma atividade esportiva ou um espaço de lazer com autonomia e segurança.

Para Bertioga, essa discussão tem peso especial porque o município combina uma extensa faixa litorânea com áreas de Mata Atlântica, unidades de conservação, atividades esportivas e equipamentos voltados ao turismo. A possibilidade de oferecer essas experiências a um público maior pode fortalecer a economia local e, ao mesmo tempo, estimular uma relação mais responsável entre turismo, urbanismo e preservação ambiental.

O que já está disponível para quem visita Bertioga

Um dos exemplos mais concretos é o Mar de Acessos, realizado pelo Sesc Bertioga na praia em frente à unidade. O projeto oferece atividades físicas e recreativas para pessoas com e sem deficiência e disponibiliza recursos como cadeiras anfíbias, que permitem o banho de mar para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de triciclo adaptado de corrida. A programação também inclui atividades esportivas adaptadas, como surfe e outras práticas que podem ser realizadas com adaptações de equipamentos e técnicas. (Prefeitura de Bertioga)

A iniciativa mostra uma mudança importante na forma de pensar a praia. Em vez de tratar a acessibilidade somente como acesso físico à areia, a proposta procura permitir que a pessoa participe efetivamente da experiência. Isso inclui entrar na água, praticar atividades, acompanhar uma programação esportiva e compartilhar o espaço com familiares e outros visitantes. Para moradores e turistas, a existência de equipamentos desse tipo representa uma possibilidade adicional de lazer que pode ser consultada antes da viagem ou da programação de fim de semana.

O calendário do Sesc também demonstra que a proposta não está restrita a uma ação isolada. Em setembro e outubro, por exemplo, a programação inclui a atividade Ritmos: Corpo e Escuta, realizada na praia, com proposta relacionada à consciência corporal, expressão e diversidade. A atividade integra o Mar de Acessos e mantém a proposta de criar experiências abertas a pessoas com e sem deficiência. (Sesc São Paulo)

Para o visitante, porém, é importante conferir previamente datas, horários e disponibilidade dos recursos diretamente com os responsáveis pela atividade. Programações podem mudar e determinados equipamentos podem depender de horários específicos. O reconhecimento estadual não significa que todos os pontos turísticos da cidade sejam automaticamente acessíveis, mas indica a existência de iniciativas concretas que podem ser utilizadas como referência.

O que o reconhecimento pode mudar no turismo de Bertioga

O principal efeito da premiação tende a aparecer no planejamento futuro. A Prefeitura informou que trabalha em conjunto com o Sesc para desenvolver um modelo padronizado de turismo de praia acessível, com a intenção de ampliar e estruturar esse tipo de experiência no município. Se esse trabalho avançar, a tendência é que a acessibilidade seja pensada de forma mais integrada, envolvendo infraestrutura, atendimento e organização dos serviços turísticos. (Prefeitura de Bertioga)

Esse movimento também pode beneficiar o comércio e a economia local. Um visitante que encontra melhores condições de acesso tende a ter mais possibilidades de permanecer na cidade, consumir em restaurantes, utilizar serviços, participar de atividades e viajar acompanhado da família. Para hotéis, pousadas, restaurantes, operadores turísticos e prestadores de serviços, a acessibilidade pode deixar de ser apenas uma obrigação estrutural e passar a representar uma oportunidade de alcançar novos públicos.

Bertioga ainda pode ganhar relevância como destino para famílias que procuram atividades acessíveis no litoral. A combinação entre praia, natureza e esportes adaptados cria um diferencial que pode ser comunicado antes mesmo da viagem. Em um cenário no qual turistas pesquisam cada vez mais informações sobre infraestrutura, mobilidade e condições de acesso, dados objetivos sobre equipamentos disponíveis podem influenciar a escolha do destino.

A experiência de Bertioga também acompanha um movimento estadual. A premiação do Governo de São Paulo foi construída justamente para identificar práticas com potencial de replicação, e outras cidades do litoral também apareceram entre as iniciativas reconhecidas. A pesquisa da EACH-USP mostra que o tema já está sendo tratado como uma área específica de planejamento turístico, com critérios que vão além da simples adaptação física. (Cada Um é Um)

Para o morador, a consequência pode ser ainda mais ampla. Estruturas acessíveis utilizadas por turistas também podem ampliar as opções de lazer da própria população local, especialmente quando os equipamentos são permanentes e acompanhados de programação regular. O desafio agora é transformar o reconhecimento em continuidade, ampliar o número de espaços acessíveis e garantir que informação, atendimento e infraestrutura acompanhem essa evolução.

Bertioga, portanto, chega ao fim de setembro com um reconhecimento que coloca a acessibilidade no centro da discussão turística. As três premiações não significam que todos os obstáculos foram resolvidos, mas mostram que já existem iniciativas concretas capazes de aproximar diferentes públicos da praia, da natureza e do esporte. Para quem pretende visitar a cidade, vale pesquisar previamente quais atividades estão disponíveis e quais recursos podem ser utilizados. Para o município, o próximo passo é transformar boas práticas em uma rede cada vez mais ampla, permanente e integrada de turismo acessível.

Fontes verificáveis: Prefeitura de Bertioga — premiação de turismo inclusivo · EACH-USP — pesquisa sobre boas práticas de turismo inclusivo · Sesc Bertioga — Mar de Acessos · Prefeitura de Bertioga — programação acessível do Sesc · Prefeitura de São Paulo — reconhecimento estadual de turismo inclusivo

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