A sustentabilidade no setor funerário deixou de ser uma pauta marginal para se tornar uma das discussões mais urgentes dentro da indústria de serviços fúnebres. Tiago Oliva Schietti acompanha de perto essa transformação e observa que famílias, empresas e profissionais do setor começam a repensar práticas consolidadas por décadas, movidos por uma consciência ambiental crescente e por um novo entendimento sobre o que significa honrar uma vida com responsabilidade.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender quais práticas sustentáveis ganham espaço no mercado funerário, por que essa mudança é inevitável e como a aprendizagem contínua acelera essa transição. Se o tema desperta sua curiosidade ou faz parte da sua atuação profissional, vale seguir a leitura até o fim.
O impacto ambiental das práticas funerárias tradicionais
Por muito tempo, o setor funerário operou sem grande questionamento sobre seus efeitos no meio ambiente. O embalsamamento com produtos químicos, o uso intensivo de madeiras nobres em caixões e a ocupação permanente de extensas áreas de solo em cemitérios convencionais geraram um passivo ambiental considerável ao longo das décadas. Esse cenário começa a ser revisado com mais profundidade à medida que a consciência ecológica avança em diferentes setores da sociedade.
Conforme aponta Tiago Oliva Schietti, o problema não está apenas nos materiais utilizados, mas em toda a cadeia de processos que envolve um funeral tradicional. Desde o transporte até a manutenção de estruturas físicas, cada etapa consome recursos e gera impactos que raramente eram contabilizados. Reconhecer esse custo ambiental é o primeiro passo para construir alternativas mais equilibradas e coerentes com os valores de um mundo em transição ecológica.
Quais são as principais práticas sustentáveis que emergem no setor?
O movimento por funerais mais sustentáveis avança em múltiplas frentes e apresenta soluções variadas para diferentes contextos culturais e econômicos. Algumas dessas práticas já estão disponíveis no mercado brasileiro, enquanto outras ainda chegam de forma gradual, impulsionadas pela demanda de consumidores mais conscientes. A diversidade de opções é um sinal positivo de que o setor está amadurecendo nessa direção.

Entre as tendências que ganham mais visibilidade, destacam-se:
- Sepultamento natural em solo sem impermeabilização, permitindo a decomposição orgânica completa;
- Caixões biodegradáveis produzidos com bambu, papelão reciclado ou madeiras de reflorestamento certificado;
- Cremação com filtros de emissão que reduzem significativamente a liberação de gases poluentes;
- Aquamação, processo que utiliza água e compostos alcalinos no lugar do fogo, com menor pegada de carbono;
- Urnas biodegradáveis que podem conter sementes, permitindo o crescimento de plantas ou árvores como símbolo de continuidade;
- Cemitérios verdes, que funcionam como reservas naturais e dispensam estruturas de concreto e mármore.
Cada uma dessas práticas representa não apenas uma escolha ambiental, mas também uma nova linguagem simbólica sobre o fim da vida. Segundo Tiago Oliva Schietti, o crescimento desse mercado depende diretamente da capacidade do setor de educar famílias e profissionais sobre as opções disponíveis e sobre os benefícios concretos de cada alternativa.
Por que a aprendizagem é indispensável nessa transição?
Nenhuma mudança estrutural acontece sem um processo consistente de aprendizagem. No setor funerário, essa afirmação se aplica com especial relevância, porque as barreiras para adotar práticas sustentáveis não são apenas técnicas ou financeiras. Elas também são culturais, emocionais e simbólicas. Mudar a forma como uma sociedade lida com a morte exige tempo, diálogo e informação qualificada.
De acordo com Tiago Oliva Schietti, profissionais do setor que investem em formação contínua sobre sustentabilidade saem na frente não só do ponto de vista ambiental, mas também comercial. As famílias cada vez mais buscam empresas que compartilhem seus valores, e a capacidade de oferecer opções ecologicamente responsáveis se torna um diferencial competitivo real. A aprendizagem, nesse contexto, deixa de ser um recurso opcional e passa a ser parte da estratégia de posicionamento no mercado.
O papel das empresas funerárias na construção de uma cultura verde
Empresas funerárias ocupam uma posição estratégica nessa transformação. Por estarem no centro do processo, têm a responsabilidade e a oportunidade de influenciar escolhas em um momento em que as famílias estão especialmente abertas à orientação e acolhimento. Uma empresa que apresenta alternativas sustentáveis com clareza e sensibilidade contribui tanto para o meio ambiente quanto para a qualidade da experiência oferecida ao cliente.
Como ressalta Tiago Oliva Schietti, a sustentabilidade no setor funerário não pode ser tratada como uma tendência passageira ou como estratégia de marketing superficial. Ela precisa estar incorporada à cultura organizacional, aos processos internos e à formação das equipes. Empresas que adotam essa perspectiva com seriedade constroem uma reputação sólida e duradoura, capaz de atravessar gerações.
Sustentabilidade e significado: uma equação possível?
Uma das resistências mais comuns à adoção de práticas funerárias sustentáveis vem da percepção de que elas seriam menos dignas ou simbólicas do que os rituais tradicionais. Esse é um equívoco que precisa ser desconstruído com cuidado e argumentos concretos. A dignidade de um funeral não está no material do caixão ou na grandiosidade do cemitério, mas no cuidado, na atenção e no respeito com que cada detalhe é conduzido.
Nesse ponto, a visão de Tiago Oliva Schietti é esclarecedora: um funeral sustentável pode ser profundamente significativo e emocionalmente rico. Plantar uma árvore em memória de alguém, por exemplo, cria um legado vivo e tangível que transcende qualquer estrutura de mármore. A ressignificação dos rituais fúnebres é, em si mesma, um ato de aprendizagem coletiva sobre o que realmente importa quando uma vida chega ao fim.
A sustentabilidade no setor funerário não é uma promessa distante; ela já se manifesta em práticas concretas, em empresas comprometidas e em famílias que escolhem deixar um legado ambiental positivo mesmo no momento da despedida. O caminho ainda é longo, mas a direção está clara. Cada escolha sustentável feita hoje contribui para um setor mais responsável e para um planeta mais equilibrado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
