O diretor de tecnologia Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira costuma fazer uma pergunta que desarma muitas conversas sobre velocidade de entrega em projetos de tecnologia: qual é o custo real de uma decisão técnica tomada errada? Não o custo imediato, que muitas vezes parece zero porque o sistema continua funcionando. Mas o custo acumulado ao longo de doze, dezoito, vinte e quatro meses de desenvolvimento sobre uma base que não foi pensada para o que o produto se tornou.
Na realidade, o custo raramente aparece em nenhum relatório. Ele se manifesta na velocidade decrescente das entregas, no tempo crescente de cada deploy e na quantidade de engenheiros que passam o dia trabalhando em um sistema que resiste a qualquer mudança.
Como decisões técnicas ruins se tornam permanentes
O mecanismo é previsível. Quando uma decisão é tomada sob pressão de prazo com a intenção de ser revisada depois, o prazo passa, o produto cresce, outros times constroem sobre aquela decisão. O que era uma solução provisória se torna a fundação sobre a qual partes inteiras do sistema foram construídas. Revisá-la agora exigiria desmontar tudo que veio depois.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira descreve esse processo como entropia arquitetural: a tendência natural de sistemas de software de se tornarem mais difíceis de mudar com o tempo, especialmente quando as decisões iniciais não foram feitas com clareza sobre as implicações de longo prazo.
O que torna uma decisão técnica boa ou ruim?
Não é acertar o futuro. Nenhum arquiteto de sistemas acerta o futuro com consistência. Na prática, o que torna uma decisão técnica boa é a clareza sobre quais trade-offs estão sendo feitos conscientemente, quais suposições ela depende e em que condições ela precisaria ser revisada.
Uma decisão tomada com essa clareza pode ser errada e ainda assim ser boa, porque, quando as suposições mudarem, a equipe sabe exatamente o que precisa ser revisado e por quê. Uma decisão tomada sem essa clareza pode funcionar por anos e ainda assim ser ruim, porque, quando precisar ser revisada, ninguém vai saber por onde começar.

Quando a pressão de prazo é o argumento mais perigoso
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira é categórico sobre um padrão que vê com frequência: a pressão de prazo raramente justifica uma decisão técnica ruim, mas é usada para justificá-la com regularidade. O argumento é sempre o mesmo: não temos tempo agora, depois a gente arruma.
O problema é que o depois raramente chega com menos pressão do que o agora. E a dívida técnica gerada pela decisão ruim vai estar lá, crescendo, quando o próximo prazo urgente aparecer.
O papel da liderança técnica nas decisões que mais importam
Decisões de arquitetura de sistemas que afetam anos de desenvolvimento precisam de um processo deliberado: tempo para pensar, espaço para discordar, documentação do raciocínio e clareza sobre quem tem a palavra final quando o consenso não aparece.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira representa o perfil de diretor de tecnologia que entende que sua função mais importante não é tomar todas as decisões técnicas, mas criar as condições para que as decisões mais importantes sejam tomadas com o rigor que merecem.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
