Nos últimos anos, o reconhecimento de que a qualidade de uma operação de segurança depende diretamente do preparo das pessoas que a executam ganhou espaço crescente nas discussões sobre gestão institucional. Ernesto Kenji Igarashi, com longa experiência em docência e capacitação de profissionais de segurança, compreende que o treinamento técnico não é etapa complementar de uma carreira na área: é o alicerce sobre o qual toda a competência operacional é construída. Convidamos você a conhecer mais sobre como a qualificação transforma o desempenho de equipes em ambientes de alta exigência.
Por que treinamentos convencionais frequentemente falham?
Em meio às transformações recentes nas metodologias de capacitação em segurança, um problema persistente continua a comprometer o desempenho de muitas equipes: a distância entre o que é ensinado em sala e o que é exigido em campo. Conforme detalha Ernesto Kenji Igarashi, treinamentos que se limitam a transmitir teoria sem reproduzir, ainda que parcialmente, as condições reais de pressão de uma operação produzem profissionais que conhecem os protocolos, mas não desenvolveram os reflexos necessários para executá-los sob estresse. Essa lacuna só se manifesta quando o profissional enfrenta sua primeira situação de alto risco, e nesse momento o custo do despreparo pode ser irreparável.
A superação desse modelo exige que os programas de treinamento incorporem simulações progressivas, exercícios práticos com nível crescente de complexidade e avaliações que testem não apenas o conhecimento dos procedimentos, mas a capacidade de aplicá-los em condições adversas. Quanto mais próximo da realidade for o ambiente de treinamento, maior será a transferência de aprendizado para o desempenho em campo.
Competências técnicas e comportamentais no desenvolvimento de profissionais de segurança
Nesse sentido, a formação de profissionais de segurança de alto nível exige atenção simultânea a duas dimensões que se complementam. De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, as competências técnicas, como o domínio de armamento, técnicas de imobilização, primeiros socorros táticos e operação de equipamentos de monitoramento, precisam ser desenvolvidas em paralelo com as competências comportamentais, que incluem controle emocional, capacidade de trabalho em equipe, tomada de decisão sob pressão e comunicação eficaz em situações críticas.
Profissionais tecnicamente habilidosos, mas comportamentalmente frágeis, comprometem a coesão da equipe em momentos decisivos. Da mesma forma, profissionais com perfil comportamental adequado, mas com lacunas técnicas significativas, expõem a operação a riscos evitáveis. O desenvolvimento equilibrado dessas duas dimensões é o que produz o profissional de segurança completo, capaz de operar com eficácia em qualquer cenário.

A importância da atualização contínua na carreira de segurança
Sob esse aspecto, a qualificação técnica em segurança não tem ponto de chegada definitivo. O ambiente operacional evolui, novas ameaças surgem, equipamentos são atualizados e protocolos são revisados. Ernesto Kenji Igarashi ressalta que profissionais que interrompem o processo de atualização após a formação inicial se tornam progressivamente menos preparados para os desafios do ambiente real, mesmo que sua experiência acumulada seja considerável. A experiência sem atualização é um ativo que se deprecia com o tempo.
Programas de capacitação contínua, que incluem reciclagens periódicas, participação em exercícios conjuntos com outras equipes e acesso a conteúdos técnicos atualizados, são instrumentos que mantêm o profissional de segurança em condições de operar com excelência, independentemente do tempo de carreira. Organizações que investem nessa continuidade constroem equipes com desempenho consistente e menor taxa de erros operacionais.
O papel do instrutor na formação de profissionais de alto desempenho
Ao observar trajetórias de profissionais de segurança que atingiram excelência operacional, um fator recorrente é a influência de instrutores que combinaram rigor técnico com capacidade de transmitir conhecimento de forma eficaz. Ernesto Kenji Igarashi elucida que o instrutor de segurança que passou pela experiência real das operações que ensina possui uma autoridade didática que nenhum manual substitui. Ele sabe onde os protocolos funcionam exatamente como previsto e onde a realidade exige adaptações que só quem esteve em campo conhece.
A valorização de instrutores com experiência operacional comprovada é, portanto, um investimento estratégico para qualquer organização que leva a sério a qualidade da formação de suas equipes de segurança.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
